Paulistano, cantor, compositor e ator (formado pela EAD – Escola de Arte Dramática), filho do poeta e político Cid Franco. Formou-se pela Escola de Arte Dramática e lá começou a carreira de músico, compondo trilhas para espetáculos teatrais como “O Contador de Fazendas”, dirigido por Dulcina de Moraes e “Os Olhos Vazados”, dirigido por Emílio de Biasi.

Depois vieram os festivais: a primeira música de Walter Franco a participar de um festival foi “Não se Queima um Sonho”, defendida por Geraldo Vandré. Depois veio “Sol de Vidro”, “Pátio dos Loucos”, interpretada pela cantora Célia, e “Animal Sentimental”, todas elas muito bem classificadas. Na época Walter Franco também mantinha um programa de rádio, na extinta Rádio Marconi. “Marcando Bossa” era um programa de música popular e moderna brasileira. Passaram por lá artistas como Paulinho Nogueira e Milton Nascimento.

Mas o momento que marcou a primeira fase da carreira de Walter Franco foi a apresentação da música “Cabeça”, de sua autoria, no Festival Internacional da Canção de 1972, de Rede Globo. Uma música totalmente fora dos padrões da época, baseada em vozes superpostas e repetições de fragmentos da letra, quase incompreensível.

A composição Cabeça foi reconhecida por Astor Piazzola com o comentário – Isso é uma revolução!

Depois de toda a polêmica, Walter Franco foi contratado pela Continental para fazer o seu primeiro disco. Escolheu como produtor o papa da tropicália, Maestro Rogério Duprat, e esse seu primeiro disco, recebeu o premio de revelação do ano concedido pela APCA e recentemente à solitária mosca sobre o fundo branco e as palavras “ou não” na contracapa foi escolhida como uma das melhores capas dos últimos anos.

Sem dúvida , um disco ousado que revolucionou os conceitos de melodia, silêncio e ruído. O crítico Tárik de Souza comenta: “Foi o mais ousado projeto sonoro autoral de nossa música popular, inclusive em nível de vanguarda internacional.”

Neste disco, lançado em 1973. aparecia uma nova versão de “Cabeça” e canções como “Mixturação”, “Água e Sal” e “Me Deixe Mudo”, que o poeta Augusto de Campos considera “A canção com maior registro de silêncio já feita no Brasil. E com recursos de tratamento da palavra que a aproximam da poesia concreta”.

Em 1974, inaugurou outro procedimento que seria uma marca de seu trabalho. No show “A Sagrada Desordem do Espírito” apresentava-se só no palco, na posição da Flor de Lótus, com seu violão. Peninha Schmidt comandava a mesa de mixagem, usada como um instrumento musical, a serviço da espacialidade do som. Ecos, som quadrifônico e reverberações trabalhando “a distância que existe do sussurro ao grito”.

Em 1975, Walter Franco participa do Festival Abertura, com a música “Muito Tudo”. Uma homenagem à João Gilberto e John Lennon, com arranjo de Júlio Medaglia.

 

Logo depois se iniciaram as gravações do disco que é considerado por muitos a obra prima de Walter Franco, “Revolver”, lançado em 1976 (Não é Revólver, pois no princípio era o verbo, comenta Walter).

Um disco com um acento instrumental mais próximo ao rock, com guitarras e efeitos de estúdio muito elaborados. Na capa, Walter Franco em diagonal, todo de branco, como Lennon em “Abbey Road”. Na contracapa, em braile, a palavra “Sim”.

Em 1978 lança “Respire Fundo”, pela CBS, um disco gravado em oito meses, com mais de duzentos músicos, entre eles importantes nomes da MPB, como João Donato, Sivuca, Wagner Tiso, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Lulu Santos, Geraldo Azevedo, entre outros.

No Festival da Tupy de 1979, conquistou o segundo lugar e nova explosão: Walter Franco apresenta “Canalha”, cantando com a voz dilacerada e chegando ao grito primal, provocando catarse coletiva com o público gritando em uníssono CANALHA!!!!! A canção, aparece no próximo disco, lançado logo a seguir, “Vela Aberta”.

Em 1981 Walter participou do festival, o MPB-Shell, com a canção “Serra do Luar”, arranjada por Rogério Duprat. Essa versão foi registrada apenas no disco do festival e a música fez grande sucesso posteriormente em uma gravação de Leila Pinheiro.

Walter gravou outro disco, em 1982, pela gravadora Lança, chamado apenas “Walter Franco”. É um disco que teve pouca distribuição, e cujo resultado artístico não agrada muito ao próprio autor, que não teve liberdade para trabalhar da forma como desejava nos arranjos e na mixagem das faixas.

Considerado como expoente da vanguarda musical brasileira, lançou em 2000 o CD “TUTANO” pela gravadora Ybrasil Music , Walter apresenta um repertório inédito em músicas como Zen e Gema do Novo e Acerto com a Natureza (com Cristina Villaboim) , Nasça (com Arnaldo Antunes), Totem (com Costa Neto), além da releitura de Cabeça, Distancias e Muito Tudo e outras canções.

Ainda em 2000, recebeu uma homenagem em forma de documentário , “Muito Tudo” , dos jovens cineastas Bel Bechara e Sandro Serpa , destaque da mostra de audiovisual do MIS (Museu da Imagem e do Som) e vencedor do Festival É Tudo Verdade . O documentário contou com a participação de nomes ilustres : Augusto de Campos, Rogério Duprat , Júlio Medaglia , Arnaldo Antunes , Jards Macalé , Lívio Tratemberg , Jorge Mautner , Itamar Assumpçao … E retrata o universo poético do músico .

Universo esse que em seus shows , toca os sentimentos e emoções de quem o assiste , conduzindo a um encantamento entre palco e platéia.

Em 2015, Walter Franco comemorou 70 anos de vida e sua volta aos palcos, lotando teatros e relançou, após 40 anos seu álbum Revolver!